Publicado por: jessica grant | 13/04/2010

Pra cabeça

Sempre fui fã de chapéus. Tenho quase quinze lá em casa, todos comprados há pelos menos dois anos, visto que desde então caiu a ficha de que, mais que aquilo, era desnecessário.

No Brasil não é muito comum, mas acho que quem gosta deve aproveitar o inverno para usar, ter o frio como desculpa. Mas, com cabelo curto ou raspado, a desculpa vira verdadeira… Além de compor um visual divertido e irreverente com as roupas, chapéus e alguns tipos de boinas também esquentam a cabeça. E, para quem não sabe, esquentar o topo do corpo é essencial para manter o resto também quentinho.

Chapéus

O bom dos chapéus é que são clássicos e existem para todos os tipos de cabeças, todos os formatos de rostos e todos os gostos. O complicado deles quando se tem cabelo curto, é que podem parecer muito grandes e desproporcionais, que é o que eu sinto com os que tenho. A dica é focar nos modelos fechados, para esquentar mais, e menores, para não dar este efeito. No Brasil existe a marca/loja Pralana. Além de modelos que não gosto, desses meio sertanejo (“American”, como eles chamam), a marca possui outros que valem a pena. Recomendo as boinas e bonés, os chapéus Copa e alguns dos modelos Donna. Estes são os nomes usados pela própria marca. Usando os nomes conhecidos, eu recomendo Boinas, Fedora, Cloche, justinho ou maior, e Trilby.

A Fedora[modelo legal no link!] é o mais urbano, alguns deles com aba dobrada ficam super divertidos. Mais feminino e numa versão larga, o chapéu Cloche[modelo legal no link!] é bonito, mas quando vem em modelos maiores é melhor usar de dia.

Eu tenho alguns deste Cloche larguinhos, mas ficam feios com o cabelo curto, diminuindo muito o tamanho da cabeça. Dependendo do tamanho da aba do Fedora isso também pode acontecer, como ocorre com o meu fedora preto. Tão triste, porque ele é super feminino e tem até renda!

Em cima: chapéu preto fedora com a aba grande não funciona sem cabelo, o mesmo vale para o cloche branco, até com a aba dobrada. Em baixo: um mais simples faz a graça dos dias frios, um chocle cinza com aba semi-dobrada também é bom e a fedora menor bege fica "no ponto".

Boinas

A graça das boinas com o cabelo curto ou raspado é que elas são menores, então não ficam desproporcionais. Também são mais justinhas e esquentam mais. Na minha opinião, boinas e bonés femininos são mais fáceis de combinar com as roupas, até porque o público brasileiro parece mais acostumado com eles. Tanto as boinas com aba, muitas vezes chamadas já de bonés, quanto as sem aba (tem aquelas francesinhas fofas, sabe?) são válidas. Boinas mais para o frio, são feitas com lã e super caseiras. Atrevo a dizer que dão um toque “folk”, hehe. Com os chapéus, é sempre melhor compor um visual mais discreto, pra não sobrecarregar, mas com as boinas dá pra exagerar um pouquinho no look, como com cores mais fortes, vestidos mais curtos, ou até um sapato mais, digamos, marcante.

Em cima: boné verde militar fica legal, mas pesado para cabelo curto, muito masculino; boina de lã rosa fica super fofa (e quentinha!). Em baixo: boina com aba marrom dá um ar de maquinista, divertida e bonita; boina preta e branca também esquenta bastante e esta é a mais fácil de combinar com as roupas.

Casquetes e arquinhos

Casquetes, que já tão em moda faz um tempinho, é um pequeno chapéu colocado de ladinho. Os modernos se tornaram arquinhos com um enfeite um pouco maior, algumas penas, alguns desenhos que se destacam no meio da cabeça. O blog Petiscos uma vez explicou a diferença entre os casquetes e os voilettes, que são aqueles que têm a redinha.

Com o cabelo curto, fica mais que divertido. Não esquenta em nada, então se este é seu objetivo, pode esquecer. São somente para enfeitar o look e… bom, só pra isso. Tem aqueles que são mais chapéuzinhos mesmo, e aqueles que parecem mais enfeites, como tem na Gotlib Vintage e na Quero um de cada, respectivamente. A Accessorize costuma ter um monte, também achei alguns na Flor de Cris.

Algumas tiaras e os arquinhos evoluíram dos casquetes menores, e viraram um enfeite solto na cabeça. As de florzinha estão pra tudo quanto é lado. Headbands fininhos, aqueles que ficam reto na cabeça, com flores também são legais para os cabelos curtos, porque criam uma graça a mais.

Uma headband com florzinha dourada é perfeita pra sair à noite, e o arquinho com flor, uma "evolução" das casquetes, fica bonito e pode ser usado com roupas mais leves e femininas.

Com tanta opção para esquentar e enfeitar a cabeça, não tem mais desculpa pra falar que cabelo raspado não tem graça. Mesmo já crescidinho, como vocês já devem ter reparado que ele está, parece todo dia a mesma coisa e eu faço questão de usar o meu guarda-roupa-de-cabeça (=P) pra animar a rotina. Se não, já pensou ficar todo dia assim:

Publicado por: jessica grant | 05/04/2010

A decisão

Contei os porquês, contei como foi, mas ainda não contei por aqui a história de como começou tudo isso. Para quem interessar possa, ou somente para registrar, eis aqui como eu decidi virar a careca…

Na verdade sempre quis raspar, viver uma coisa assim, diferente, cheia de novidades para alguém que sempre teve cabelo comprido. Sempre quis sentir como era não ser igual aos outros visualmente, mas se sentir dona de si mesma. Sempre quis isso, nem sabia direito o porquê, mas sempre morria de medo. Pensava que ficaria feio, me importava com os comentários que viriam, os elogios falsos… me incomodava a ideia de que eu poderia virar o alvo de brincadeiras sem gosto. Deixei a ideia pra lá.

Junho de 2009 e minha prima se casava. Conversando com a prima do noivo, que tinha o cabelo curto maravilhoso pelo qual me apaixonei, descobri que ela tinha raspado há mais ou menos um ano. Fiquei pasma e cochichei para o namorado da época: “eu quero ter esta coragem!” Ele sorriu e olhou para o cabelão cacheado… Deve ter pensado: “nunca terá!”

Em agosto a vontade voltou, fiquei matutando silenciosamente, até porque eu não poderia mexer em um centímetro do meu cabelo até o casamento da minha irmã, sob risco de morte. Comecei a perguntar para meus amigos o que achavam, e as respostas sempre vinham confusas.

Um dia abri o assunto no twitter e acho que foi quando eu recebi mais respostas… Isso já era em setembro, e foi quando comecei a brincadeira. As pessoas que me apoiavam eram aquelas que eu admirava ou o jeito de viver, ou as atitudes, ou o estilo. Quem negava, por mais que fosse meu amigo, não tinham tanto a ver comigo enquanto personalidade e escolhas. Me animei e decidi: vou raspar!

Mas o medo das reações negativas continuava, e foi então que percebi que eu tinha de me preparar para o que iria ouvir. Juntei a necessidade de “sondar o ambiente” com a vontade de me divertir e comecei a fazer uma votação via Twitter, Facebook, estas coisas. Acabou que deu, no dia 25 de novembro, 21X17, a favor da careca (e propositalmente parado neste ponto, é claro…). Ver que 38 pessoas se importaram em destacar sua opinião sobre meu cabelo foi uma previsão do quanto eu teria de ouvir comentários – a favor ou contra. Mas, confesso, me diverti pra caramba vendo os votos desesperados de “siiim, tudo a ver com vc!” e “nãããão, por favor, nãããão”… Ria aos montes!

Fiz uma seção de fotos com minha amiga Ariane Freitas e raspei o moicano. Pensei: “já que vou raspar tudo, vou matar minha curiosidade e ver como fica um moicanão”. Deixei o cabelo comprido e raspei só nas laterais. AMEI o visual e penso em repetir o corte algum dia. Daí foi uma questão de meses para passar a máquina, e virar quem hoje sou.

Simples assim, uma história de uma decisão, só isso. Nada de mais…

Publicado por: jessica grant | 01/04/2010

De lenço amarrado

Cabelo curto e raspado não combinam com inverno. Pescoço e orelha de fora ficam quase a congelar. Embora eu ache o visual curtinho sempre super elegante, assim como o inverno costuma ser, há sempre que considerar o desconforto que é passar frio.

Tory Oliveira, grande jornalista atualmente no JT, me indicou um site que ela conheceu há muito tempo atrás. A página (confere lá!) traz um tutorial sobre como amarrar lenços. São diversos nós e várias formas de usar. Depois de aprender, é só combinar com o look e variar, levando sempre na brincadeira. Abaixo, minha escolha para o que serve mais para o outono e inverno de cabelo raspado ou curto.

Gypsy (imagem): cobre a cabeça inteira, mas ainda fica soltinho. Por isso, pode ser combinado com um brinco ou colar um pouco maior. Não deixe de cuidar da maquiagem, para evitar ficar com carinha de doente.

Neck Wrap: traz um pouco de volume para o pescoço, compensando a falta de volume no rosto. Vale evitar colares e compor com uma blusa mais simples, principalmente se o tecido foi colorido. É um estilo mais “descolado”.

Grench Twist: outro nó que dá volume ao pescoço, mas desta vez um pouco mais clássico, sendo uma alternativa para looks um pouco mais formais. Fica lindo com uma blusa lisa e uma saia mais rodada ou de cintura mais alta. E, pra mim, lembra um pouco a diva Audrey Hepburn, quando bem usado.

Neste site acho que falta aquela faixa que tem um nó no topo da cabeça, como da imagem ao lado, que compõe um visual um pouco mais moderno quando bem usado. Um vestidinho ou até mesmo uma camisa larguinha com shorts combinam muito bem!

Chapéus e boinas também são boas escolhas para esta época, farei um post sobre estes… E alguns arcos/tiaras são ótimos para o ano inteiro. Aguardem!

Publicado por: jessica grant | 31/03/2010

Porra, Young!

Gustavo Lobão, músico da banda Dundalk, me encaminhou uma vez um tuíte da famosa apresentadora e coelhinha da Playboy Fernanda Young. Disse a @youngporra:

“Quem apostou que eu não conseguiria manter o cabelo… Tam tam tam tam! Ganhou. Eu raspei. Raspei. A cabeça, hein? Aguardo apoio.”

Como foi publicado dia 10 de março, não preciso nem dizer que dá uma vontade enorme de dizer que aposto que ela entrou aqui, sentiu saudade de sentir a careca, e decidiu me imitar. Depois de voltar à sanidade, resolvi deixar este comentário estúpido e egocêntrico pra lá.

Mas de qualquer forma, fica aí pra vocês. Ela raspou o cabelo e apareceu em coluna social (Veja). Eu raspei e fiz um blog onde queria registrar a experiência para mim mesma. Aqueles que vivem passando por aqui e proferindo reclamações quanto a minha suposta “futilidade” agora me digam: quem é pior, eu ou ela?

Mas deixo claro que acho tudo isso nada a ver. Tanto eu, quanto [obviamente] a Fernanda Young temos o direito de fazermos o que quisermos e vocês, reclamões, não tem nada a ver com isso.

Só um desabafo.

Publicado por: jessica grant | 30/03/2010

Ah, os homens…

Conversando com meu amigo Iuri, ótimo cozinheiro por sinal, tive uma grande decepção:

– Jessica, sabe seu blog do cabelo?

– Sei…

– Ele não é muito útil, né? Digo, para os homens…

– Não, ele não é útil, não é feito para ser útil, mas porque “para os homens”?

– Tipo, todo homem sabe aquilo. Todo homem já raspou o cabelo e sentiu tudo aquilo. E mais: os homens tem cabelo curto e sabem como é prático. Não é nada de mais tudo aquilo que você diz… a gente sabe como é.

– …

– É sério.

Valeu, homens, por não me apresentar antes a este mundo maravilhoso do cabelo raspado. E declaro que o público-alvo deste blog sou eu mesma. E as mulheres que quiserem me acompanhar. Humpf…

Publicado por: jessica grant | 29/03/2010

Nem tudo são flores…

… ou até seriam, se levarmos em conta os espinhos grandes e afiados. Raspar o cabelo é uma mini-aventura deliciosa, cheia de novas sensações. Mas, como tudo na vida, há os pontos negativos.

É chato ver ele crescendo. Pode até ser interessante, mas eu queria ele um tempinho mais curtinho, sempre precisar raspar de novo. E o cabelo cresce irregular, uns fios mais rápidos que outros, o que, com o tempo, dá a sensação de bagunçado.

Meu cabelo é fino e, atualmente, está parecendo um blond-power, visto que não “cai”. O cabelo fica espetadinho, parece um mulequinho. E, quando começam a cair os fios, eles não caem todos juntos. Cai um aqui, outro ali… bizarro!

Todos querem passar a mão. No começo eu adorei o carinho, mas, convenhamos, já cansou.

Frio. Não posso esquecer meus chapéus nem um cachecol que fico muito mais sujeita ao frio e ao vento gelado. O que, por sua vez, facilitou com que eu ficasse com a garganta ruim uma ou duas vezes neste mês.

As pessoas. Algumas ficam olhando, outras ficam interrogando por longas horas. Nada contra os olhares e as interrogações, mas sempre há aqueles que exageram e chegam a irritar.

As pessoas, de novo. Elas olham pra você, vê que raspou o cabelo, e logo julgam um monte de coisa, vide vários comentários que recebi neste blog. “Que ridículo raspar porque é anarquista, você nem sabe o que é o anarquismo” ; “Você é estúpida achando que vai vencer o padrão de beleza? Continua se maquiando, viu, prova de que não venceu” ; “Você só quer chamar atenção e raspou pra dar uma de rebelde, sua ridícula”. Só para constar: nenhuma destas pessoas perguntou para mim por que raspei. Por que? Porque eu quis, só isso.

Coça. Sim, acredite, dá pra sentir o cabelo crescendo por meio da coceira no comecinho. É bizarro, no mínimo.

A inveja, dos dois lados. Tenho inveja de quem tem cabelão, porque vai demorar para eu ter de novo, e tem gente que tem inveja da minha suposta coragem.

Os homens. Você chega toda animada contando uma sensação nova de ser careca e eles olham pra você, com cara de tédio, e soltam: “mas eu sei como é, sou homem e já passei na faculdade uma/duas vez/vezes na vida”. Valeu, machos.

Publicado por: jessica grant | 26/03/2010

Prático

35ºC? Está com calor na nuca, embaixo do seu cabelo? Pois é, eu não.

Chuva? Seu cabelo está molhando, ficando todo em pé? Pois é, o meu não.

Vento? Seu cabelo está bagunçando e fazendo um nó só? Pois é, o meu não.

6h30? Você está acordando com o cabelo todo bagunçado? Pois é, eu não.

Amigos? Ficam bagunçando seu cabelo e você precisa arrumar? Pois é, eu nunca.

Digo que está é uma das melhores coisas de ter o cabelo raspado – embora já faça um mês e vários pontos negativos também estão aí para serem listados. A praticidade do cabelinho de um centímetro é muito bom. Banhos rápidos, não tenho mais trabalho e nem preocupação com as mechas. A vida fica mais leve, sabe? Ou, simplesmente, mais prática.

É tão libertador que hoje eu tenho a certeza de que toda mulher deveria raspar o cabelo pelo menos uma vez na vida. É como conhecer um mundo simples que não tá aí pras garotas que precisam pintar as unhas, se depilar, lavar o cabelo, fazer hidratação, pentear, fazer as sobrancelhas, passar perfume, maquiar-se… Já é tanta coisa que, tirando o cabelo, ainda fica complicado ser vaidosa.

Mas vale a pena essa praticidade.

Publicado por: jessica grant | 24/03/2010

No ônibus

– Mãe?

– Oi, filha…

– Aquela menina tem o cabelo raspado…

– Sim, filha…

– Mas ela é menina, mãe.

– E daí? Meninas também podem raspar o cabelo.

– Não é coisa de menino?

– Não, querida. Qualquer um pode fazer isso.

Cinco minutos [de silêncio] depois:

– Mãe?

– Diz, filha…

– Posso raspar o cabelo?

– Não.

Sábio conselho, querida mãe da garota fofinha.

Publicado por: jessica grant | 19/03/2010

Sobre a coragem

“Como você é corajosa” é o que mais ouvi neste mês de cabelo raspado. As pessoas falam, assustadas: “mas você tinha cachinhos, e loiros! Como pode fazer isso?” Outro comentário comum é sobre eu ser mulher: “nossa! Mulher careca! Que coragem!”

Eu me pergunto: por que coragem? O que faz de um simples raspar o cabelo corajoso? De onde veem estas ideias?

Numa sociedade em que mulher tem de caber naquele padrão de beleza e corresponder somente ao que é esperado dela, concordo que raspar o cabelo é algo um tanto quanto contrário ao que se espera. Mas por que seria corajoso enfrentar estas velhas ideias? Já não passamos da contracultura e já não nos cansamos da pós-modernidade? Acho que é um espanto ver, num mundo com tantas coisas novas e fora do que a gente costumava aceitar, ainda ver pessoas se assustando com uma mulher de cabelo raspado.

Não, não aceito mais que isso é corajoso. No começo até era gostoso ouvir, e confesso que continuo achando muito bom poder encarar alguém que não tem coragem de fazer isto, incentivando a pessoa a vencer esse medinho bobo. Mas coragem? Coragem é mais que isso!

Coragem pertence aos primeiros que enfrentaram essa opinião velha e empoeirada. Coragem pertence às primeiras feministas, às primeiras sufragistas. Coragem aos primeiros anarquistas, comunistas, ou, simplesmente, revoltados com o capitalismo. Coragem é dos que lutaram contra padrões de beleza, padrões de vestimenta, padrões de comportamento. Coragem é dos que berraram.

Coragem não é para quem raspa um cabelo. Coragem é mais que isso. E é esta coragem maior que eu espero um dia também poder dizer que tenho dentro de mim.

____

[nota: a partir de hoje não aceito e deletarei todos os comentário anônimos]

Publicado por: jessica grant | 17/03/2010

St Patrick’s!

Happy St. Patrick’s Day!

Porque, para quem não sabe, eu sou irlandesa (tapa na cara de quem diz que não sou nacionalista: por que o seria?). Tá, ok, sou metade brasileira, mas a Irlanda está muito mais em mim, na minha criação e educação inteirinhas.

Então, não pelo santo, mas pela memória dele ter sido um dos primeiros a se importar com os irlandeses, com aquele povo que vivia faminto. Por ser o feriado que une aquela parte da ilha ainda dominada pela Inglaterra. Pela esperança de ver minha ilha independente e unida. Pela força de poder recontar, todo ano, a história de um tal de Patrick que mudou um país inteiro. Pela memória de tudo que já tivemos de passar, de fome a violência. Happy St. Patrick’s day, a la Sinéad O’Connor!

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