Do nada, decidi que precisava raspar o cabelo. E raspei. Primeiro moicano, com o resto bem longo, pra ver como ficava. Depois inteiro, máquina dois, porque eu tenho medo do sol na cabeleira branca. Fiz um blog pois queria registrar, para mim [e os pouquíssimos amigos interessados], estes momentos. E minha vida mudou. Juro.
Vai parecer exagerado. Vai parecer repetitivo. Mas é a mais pura verdade.
Eu comecei a sentir mais o mundo, aquele que fica fora de mim. Sentia mais o sol, o vento, a água, a chuva e até os cafunés. Parecia que meus sentidos estavam mais próximos da realidade, esta senhora superestimada da qual eu sempre tive medo. Mais próximos da criação. E essa aproximação fez eu renovar algumas coisas na minha vida. Reaprendi a ser mais saudável, reaprendi que a natureza taí pra ser respeitada. Que, se Deus fez assim, acho bom a gente cuidar com carinho. E essa re-ligação com a natureza em espírito meio hippie faz um bem danado, porque te afasta de um monte de coisa que só faz mal e te traz uma vontade mais positiva de viver no meio da realidade.
De repente, eu, que sempre fui a clássica mulher insegura cheia de “sou feia”, me aceitei. Digo, fisicamente mesmo. Comecei a me achar bonita, com todos os defeitos inclusos, e a me tranquilizar com isto. Se, mesmo careca, tinha gente que gostasse, por que eu não poderia gostar de mim mesma? Até porque, ser sincera contigo, por dentro e por fora, é o que faz de você linda.
Daí foi como uma receita: junta um ingrediente físico, o cabelo raspado, com o momento certo da vida. Solteira, desapeguei daquela necessidade que a sociedade insiste em insistir: “ter alguém”. Morando sozinha, desapeguei daquelas coisas chamadas móveis. Desapeguei e me tornei livre. Livre o suficiente pra encontrar a felicidade em mim mesma, com a ajuda de Deus.
De repente, posso dizer que sou feliz. Que, com Deus ao meu lado, não preciso de mais nada: relacionamentos, objetos, cabelo, beleza. Olho pro espelho e digo: eu gosto de ser esta garota daí. Já realizei todos os sonhos de 2010. Sou realmente feliz.
E, poxa, em pensar que esta autoestima toda começou com uma ideia louca de raspar o cabelo, que foi super criticada por tanta gente… Quem diria. Bom pra mim, poderia servir como incentivo pra alguém. Não raspar o cabelo, mas tomar uma decisão, uma atitude que mude sua vida.
Hoje, sou uma garota de cabelo curto: mais de dois centímetros. Hoje, quero raspar moicano de novo. E amo minha vida, com todos os problemas inclusos, e gosto de ser quem sou, com todos os defeitos inclusos. Raspar o cabelo mudou tudo. Se fizesse de novo? Bom, aí, só se a Ariane Freitas pedir e garantir uma seção de fotos no dia seguinte. Por ora, sou uma garota de cabelo curto, totalmente renovada e feliz. E este espaço fica guardado, com carinho, na minha história.






